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O romance de José Rezende Jr.

14 de jun. de 2019
2 min de leitura

Dos autores que fazem literatura em Brasília hoje, tenho estima por muitos. Grande parte, inclusive, colabora com este portal, como Bruno Bucis e Kássia Monteiro. E, entre os nomes com os quais encontro grande afinidade literária, está o do jornalista e escritor José Rezende Jr. O Zé Rezende sempre se destacou por suas histórias curtas, ácidas, por vezes melancólicas. Inclusive levou um Jabuti por seu livro de contos Eu perguntei pro velho se ele queria morrer (e outras estórias de amor), em 2010. A novidade é que ele acaba de lançar seu primeiro romance: A cidade inexistente, pela editora 7 Letras.


No livro, uma cidade (ali chamada de cidade velha) é evacuada às pressas pelo governo de um país sem nome, mas que muito se assemelha ao nosso, pela iminência de inauguração de uma hidrelétrica, que afundará tudo em água. Um velho e um cachorro, entretanto, decidem ficar. Sabem que vão se afogar, que vão morrer, e no entanto acreditam ser melhor do que perder a terra.


José Rezende constrói aqui um romance muitíssimo interessante, principalmente nos tempos atuais. Um relato delicado, pequeno, permeado de histórias paralelas, mas que falam, com uma beleza surpreendente, sobre o desaparecimento de uma cidade. Que também poderia ser o desaparecimento da memória e o assassinato dos dias.


Tudo no livro é extremamente simbólico e ressoa na atualidade. Do curioso extermínio das pessoas que resolvem partir ao lento desfragmentar da existência do velho que decide ficar, a prosa do escritor é um achado em dias turbulentos. Contista que é, Zé Rezende não abandona totalmente seu fascínio pela narrativa curta, posto que o romance é, na verdade, um caleidoscópio de histórias relacionadas ao tema principal. Rápido, poético e, eu diria, visceral.

O livro está disponível no site da 7 Letras e na Banca da Conceição, na 308 Norte.


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Dica de Filme: Narradores de Javé



A pequena cidade Javé será submersa pelas águas de uma represa. Seus moradores não serão indenizados e não foram sequer notificados porque não possuem registros nem documentos das terras. Inconformados, descobrem que o local poderia ser preservado se tivesse um patrimônio histórico de valor comprovado em "documento científico". Decidem então escrever a história da cidade - mas poucos sabem ler e só um morador, o carteiro, sabe escrever. Depois disso, o que se vê é uma tremenda confusão, pois todos procuram Antônio Biá, o escrivão da obra de cunho histórico, para acrescentar algumas linhas e ter o seu nome citado.



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