Quero ser escritor. E agora?
Atualizado: 30 de mai. de 2019
Em primeiro lugar, caso te assalte o sonho de escrever profissionalmente, respire fundo. Você não publicará um best-seller de imediato, tampouco virará um sucesso de público em duas semanas. As chances de que isso aconteça são remotas. Mas este não é um balde de água fria, uma série de cacarejos pessimistas. É uma orientação racional e coerente com base nos conhecimentos de minha (humilde) experiência.
Por muito tempo, relutei em me proclamar escritora. Em sair do armário. Afinal de contas, o que tinha eu publicado para assim me definir? Ainda hoje, bamboleio na hora de dizer às pessoas sobre esta identidade nem tão secreta assim, apesar das participações em antologias, revistas e sites especializados; dos prêmios e do reconhecimento que, às vezes, vem em doses homeopáticas. Profissionalmente, sou jornalista. Mas, sim, já consegui ganhar algum dinheiro com ficção.
É preciso ter consciência de que escrever é sofrido. Exige tempo, paciência, determinação. Exige estudo: sobre quem você quer se tornar enquanto escritor, sobre qual literatura quer fazer e sobre como encontrar uma voz que seja autêntica. Porque é plenamente verdade o que dizem por aí. Não se faz sucesso na literatura escrevendo sobre o que não se conhece.
A Companhia das Letras, aliás, acaba de lançar um importante manual para os novos escritores, que traz essa dica logo de cara. Escrever Ficção: um manual de criação literária é, transportada para as páginas, a oficina de criação literária mais famosa do Brasil, do professor Luiz Antonio Assis Brasil, da PUCRS. Antigamente eu desprezaria este tipo de manual. Antigamente eu diria: escrever não se aprende.
De fato, para fazer boa ficção é necessário se distanciar da teoria. É preciso viver um pouco, sentir as coisas. Mas há muito trabalho braçal e estudo no ato de escrever. Há a necessidade de planejar a trama, os personagens. Além do mais, mesmo que você seja o escritor mais talentoso do mundo, não irá a lugar algum sem uma boa dose de organização e determinação.
Luiz Assis Brasil é um fabricante de bons escritores. Por suas mãos passaram, por exemplo, nomes como Daniel Galera¹ e Carol Bensimon. Ainda pretendo ler o livro completo, porque boa orientação nunca é demais. Porque precisamos de iluminação e dicas de quem já passou por isso e conhece melhor a estrada.
Aqui vão alguns conselhos valiosos que recebi e posso partilhar:
1) Não tenha pressa em publicar e, caso publique, saiba se vender
Recentemente recusei uma proposta de publicação de uma pequena e independente editora em prol de outra, também pequena e independente, que tampouco acredito que vá rolar (opção própria, depois explico). É bom saber que, neste ramo, a pressa é inimiga da perfeição. Os editores independentes demoram um pouco a conseguir viabilizar seus projetos, embora lutem com garra e todo o suor que possuem para promover seus autores concretizados. Mas os autores também precisam fazer sua parte! Nada de escrever, enviar ao editor e pronto. O trabalho continua. Seja na edição do material enviado, e nas reedições do mesmo material; seja na divulgação do seu livro, no cara a cara com os leitores. É um trabalho intenso, que exige disposição.
2) As grandes editoras não vão ler o seu original, provavelmente
Sim, amigos. Você pode até enviar, mas é muito provável que eles acabem mofando por aí. O contato com as grandes casas editoriais se dá, via de regra, por meio de networking e agentes literários.
3) Invista em concursos literários
Esta talvez seja a melhor dica que eu possa dar hoje, em tempos de crise editorial, de esgotamento de recursos. Os concursos literários² são uma bela forma de dar o pontapé na carreira, principalmente para quem tem originais engavetados. Garantem visibilidade e, em alguns casos, algum dinheiro. Destaco: Prêmio Sesc de Literatura, Prêmio Minas Gerais, Prêmio Biblioteca Paraná, Prêmio Kindle, e por aí vai. Tem o Barco a Vapor, também, para originais infanto-juvenis (e muitos nesta linha).
4) Leia muito e escreva o dobro
Pode parecer que não, mas a quantidade de aspirantes a escritores no Brasil é gigantesca. Gigantesca. Sem ler muito e praticar a escrita todos os dias, será muito mais difícil abocanhar um pedacinho de renome. Aqui é importante ressaltar a relevância de se relacionar com os coleguinhas. Networking, no meio literário, é fundamental. Mas falamos depois sobre isto, em outra coluna.
Lembrando que, caso haja algum assunto sobre o qual você queira ler aqui, é só me escrever. Estou aberta a sugestões para a coluna! Meu e-mail é: fabiane.c.guimaraes@gmail.com
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¹ Quer saber mais sobre a obra de Daniel Galera? A Fabiane já falou sobre o autor na coluna em que apresentou alguns Escritores de hoje .
² Para ficar por dentro dos prêmios literários que estão rolando, acompanhe a página Concursos, aqui no QL.





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